segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Certo e o Incerto

Sente, e é só. Porque o sentir nunca foi tão involuntário.
O ar nunca foi tão pesado.
O pesado nunca foi tão doloroso.
E isso nunca queimou tanto. O queimar já era previsível.
E o previsível nunca foi tão certo. O certo nunca foi tão errado.
Nem tão simples. E o que era errado passou a ser perfeito.
O perfeito nunca foi tão errado. E isso, também, nunca foi tão certo.
As olheiras nunca estiveram tão profundas.
Os cabelos nunca estiveram tão opacos.
O sorriso tornou-se amarelo.
Os ombros pesaram. As mãos estão livres. A mente não. Ainda não.
Pensa, e é só. Porque é de pensar que vive.
Mas não quer pensar em pensar. Quer não pensar.
Quer não pensar que um dia pensou. Mas também não quer esquecer.
Quer fugir, mas insiste em não correr.
Prefere demonstrar o que não sente.
E pensa que se engana em não sentir. Porque tem medo de sentir.
Então prefere se ferir. Prefere a marca. O sangue. A dor.
Fere, e não somente a si.
Porque a dor causa o ódio, então fere a quem não quer.
E mata o que queria para si. O que era imune, se faz vulnerável.
Mas continua a ferir.
E a dor dói, doendo cada vez mais.
Um doer, assim, de fora pra dentro, que vai rasgando, rasgando, ardendo.
Deseja. Deseja, e só. Deseja mudar de si.
Pra voltar com saudades do que já foi, de quem já foi. Mas só deseja. Deseja, e só. Na verdade nem sabe se é isso que deseja.
Porque se desejasse de verdade, faria.
Mas pensa que deseja, por isso não faz.
Então só olha. Olha, e só. Olha, mas não pra frente. Nem pra trás.
Olha para o meio. Vê o meio. Porque meio é metade.
E metade não é partida nem chegada. Só é meio. E pode-se ir ou voltar.
E se perder.
Então procura o início e o fim, a chegada e a partida, mas não encontra. Aí se perde no meio. Em meio.
Anda, e só. Sozinha. Como se soubesse pra onde fosse.
Como se quisesse ir pra onde desse. Como se a linha fosse sua.
Como se a estrada fosse a costura. E para. Mas a vida corre.
E o que é parado já morreu. Então corre. Cai. Se apressa. E vive.
Assim meio sem nexo, um jeito meio complexo.
Um complexo meio onde vive. Mas vive.
Porque do que gosta mesmo é da magia da incerteza.
Gosta até da certeza. Mas tem certeza que tudo é incerto.
E o definitivo é indefinidamente incerto.
A incerteza, porém, é quase sempre que certa.
Acredita nisso. Acredita em acreditar. Mas tem medo. Medo de ter medo.
Porque o que quer mesmo é a incerteza cronológica.
E perder tempo querendo acertar. Daí se perde de novo.
Porque o certo, às vezes é certo mesmo.
Outras vezes, o certo se camufla como errado.
Acertar é pra quem tem sorte. Vida sempre é decisão.



***

- Gente, exatamente hoje eu faço 1 ano na presença do Senhor! Como é bom servir a Ele!!
Não a deuses de barro, nem a ídolos, mas somente e só a Ele...

5 comentários:

Patrike disse...

Lindo...

Você brinca com as palavras...

E me transmite coisas supreendentes.

^^

Gosto de tu, benção.


E feliz aniversário!

Layz Costa disse...

Lindo, lindo, lindo!
Brincou com as palavras e quem é sensível viu muito mais que isso.
O título diz muita coisa, muita mesmo.
;)

Parabéns Soninha, o tempo passa e você se mostra cada dia mais meu orgulhinho!
HAAAAAAPPY BIRTHDAY!
=*

andressa disse...

AMEI 'e é só', amiga! rs ;D

Liliane disse...

Muito bom ou melhor excelente!
Gostei dessas suas antíteses!
"E o definitivo é indefinidamente incerto.
A incerteza, porém, é quase sempre que certa."
É isso mesmo nada é definitivo e só temos certeza que temos dúvidas.

Parabéns!!!!!!!!!!!!!

Valéria Léo disse...

"E pensa que se engana em não sentir. Porque tem medo de sentir."

Achei essa colocação simplesmente, perfeita!,o medo realmante aprisiona, machuca.



Parábens pra você nessa data querida!!!
Beijo!