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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Retorno

Não estou nas folhas que caíram da árvore. Seca.
Não estou na velha morada de sentidos obsoletos. Fria.
Não estou no banco que arremata paisagens. Sóbrio.
Estou em meio. No meio de pensamentos. Mórbido.
E caminhando entre sombras, me vejo entre. Dentre.
Nas minhas mãos, a certeza do agora. Em minha mente, a dúvida do por vir.
O meu presente tende a ser futuro. Avanço logo, ou paro tudo?
Escuto o rangido de um abrir. Uma porta se abre para mim.
A velha morada, enfim, tornou a abrir-se.
Não é de concreto a velha morada. Tijolos não há. Saíra do tempo de mudança.
A mim cabe o medo. De mudança.
A porta me chama. Não sei se é bom ficar. Inseguro é ir.
Ainda estou entre. Quero muito, e logo desquero mais. Digo que entro, então volto atrás.
Continuo em meio. E de longe avisto o que antes era obsoleto. Parado, ileso.
Estou vazio, no meio de lugar nenhum.
Estou parado, espero a decisão.
Talvez eu entre, talvez eu diga não.
A velha casa agora abre seus portões.
***
- Esse texto não foi escrito com a intenção de virar post de blog, mas tá valendo..
- Edição de imagem: Daniel Costa do Ao vento... . (-Rá!)
- Obrigada pelo selo, Sandra do MEUS MIMOS!!! .  

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Sensações

Vejo. Águas salgadas sendo bebidas por pessoas, bocas falando de seus grandes feitos, mãos trêmulas por estarem suspensas, enquanto queixos se erguem. Insubmissos. A última carta sendo lançada. Fortalezas  de areia destruídas com um sopro, anônimos insatisfeitos e rostos sangrando incessantemente. Olhos direcionados ao chão, gente nascendo com esse olhar. Muralhas entre os corações, fingimento estampado em faces.

Ouço. Palavras amargas saindo da alma. E lágrimas molhando o chão seco. Lágrimas molhando constantemente o chão seco. Vozes que não sei de onde vêm. Lâminas afiadas cortando carne inocente, e gotas de sangue salpicando o vestido de uma noiva que agora está manchado. Gritos, pedidos, prantos.

Sinto. Em minha boca, o gosto salgado dessas águas. O sabor amargo das palavras embebidas em vinagre.  O sangue  da lâmina escorrendo por todo o meu corpo. Um manto vermelho e fluido cobrindo-me completamente. O ardor de minhas costas consumindo-me por inteiro. As mãos da noiva tocando-me levemente.

Eu vejo. Cravos sendo colocados em minha testa.
Eu ouço. Martelarem pregos em minhas mãos.
E sinto. Braços invisíveis estendidos para mim. Grandes braços invisíveis envolvendo-me.
   
E num último suspiro, eu me atiro então. Não, o sacrifício não foi em vão.
  



  
  

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O mais difícil...

... é lidar com a incredulidade.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Nulidades





Às vezes, eu queria ser só razão. Outras vezes, ser racional enjoa, mas isso é bem às vezes. Então eu salto, e ando na ponta dos pés. Na pontinha. 


Hoje, justo hoje, as flores cismaram de ficar bonitas.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Querido Deus,

o que será que queriam dizer quando disseram ?

















Com carinho,

Bruna.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Imperativos

Me irrite, me contrarie, tenha opinião própria. Não seja perfeito, tenha defeitos, acima de tudo, você é humano. Erre querendo acertar, e que não seja intencional. Fale por metáforas, nunca diga tudo de uma vez, seja inteligente. Escreva num papel, pelo menos uma vez por semana, sinta as palavras saírem dos seus dedos. Olhe as palavras indo para o papel. Leia sempre o que escreve. Me deixe ir com você, esteja sempre comigo, nem que seja em pensamento. Nunca minta. Encaixe sua unha na minha. Converse, me deixe te ouvir. Fique ao meu lado em silêncio, me deixe estudar você. Estude-me. Beije minha testa, segure minha mão, conte piadas. Me ouça. Me olhe nos olhos, faça desenhos no fundo do meu caderno, goste de poesia, e faça versões espontaneamente. Deixe eu pentear seu cabelo com meus dedos. Não mude por mim. Ria, seja completo e complete-me, não se prenda a  datas, mas surpreenda. Tenha paciência comigo. Saiba o que quer, e me deixe entender o seu querer. Use clichês românticos, (re)conceitue, mas seja imprevisível. Seja cara-de-pau, um mistério, mas nunca temperamental. Reserve-se, dispense o falatório, leia-me e me deixe amar você.

Sonhos


Ela sonhava. Pra aquela menina, tudo era sonho. Dormir sempre era uma aventura, e ela sempre sonhava. Sempre. Seus sonhos eram sempre incríveis e fantásticos. Mas sempre eram bem sinceros. E verdadeiros. Cheio de cores e vida. Ela não se preocupava se a chamassem de "sonhadora", porque ela sabia que com ela os sonhos falavam. Sim, falavam. Mas era só com isso que ela não se importava. Porque bobinha que era, contava seus sonhos para outrém. E ingênua que era, aceitava palpites de quem nunca sonhara. E pouco a pouco, foram conseguindo. Pouco a pouco, conseguiram adormecer os sonhos daquela menina. Eles fugiram pra algum lugar obstante. Até que num dia nublado e cinzento, ela parou de sonhar.
De tanto que sonhara, vivia sempre se esbarrando em coisas. Desastrada que era. E ria disso. Pra ela ,tudo era motivo de riso. Mas quando parou de sonhar, parou de esbarrar em coisas. Deixou de ser desastrada. Deixou também de sorrir.
Tudo ficou diferente.
O que era colorido, transformou-se em preto- e- branco. Não tinha vontade de acordar, porque só dormia para sonhar. Dormir virou algo insuportável. E ela sofria. Por não sonhar, sentia-se num pesadelo infindável, do qual ela não conseguia acordar. Não queria mais dormir. Resistia firme. Decidira nunca mais fechar os olhos.
Por muitos dias, a menina assim ficou. Mas exausta de tanto relutar, adormeceu.
Ela realmente nascera pra isso, e sem perceber voltou a sonhar. Porque os livros que lia, as músicas que ouvia, as conversas que ela tinha com pessoas que diziam além do que queriam, aumentavam o seu dom de sentir. Ela nem queria sentir, e por isso se escondia atrás de mil e uma facetas, ocultando o fato de que ela era mais sensível do que imaginara. Ela não queria ser assim. Mas era. E por não querer ser, preferia usar uma casca dura. Mas só quem a conhecia mesmo, quem a conhecia de verdade, gente com quem ela não precisava nem falar, bastava um olhar;  percebia que a casca era solta. Ela apenas segurava. Tinha medo de soltá-la.
Entretanto, distraidamente sonhando, deixou a casca cair. Agora sonhava acordada. Acordava sonhando. Dormia apenas para parar de sonhar um pouco, porque agora ela sonhava que sonhava, sonhava pensando em sonhar, e quando dormia, acumulava sonhos para o dia seguinte.
Hoje, a menina cresceu, mas ainda sonha. Sonha e divide. Divide com quem sonha também. Porque quem sonha, quem sonha os sonhos do Alto, tem tudo pra realizar o que quiser.
Ela sonha. Divide. E realiza.




sábado, 16 de janeiro de 2010

Inspire-me


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Difícil...

 ... manter um diálogo inteligente com pessoas estraaaaaaaaaaanhas!!
 Tenho aversão a indivíduos fáticos.



                                                 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Se

- Se machucar?
- Ainda estarei aqui.
- Se ferir?
- Continuarei aqui.
- Se eu não conseguir suportar?
- Ainda assim.
- Se o céu desabar?
- Eu suspendo ele de teus ombros.
- Se o sol me queimar?
- Eu sopro, e te curo.
- Se o choro perdurar?
- Eu te trago alegria ao amanhecer.
- E se a ferida não sarar?
- Eu faço tudo novo.
- Se eu me perder?
- Eu te encontro.
- Se eu me esquivar?
- Eu te abraço.
- E se eu me sujar?
- Eu te dou vestes novas.
- Se eu não conseguir Te achar?
- Eu vou te procurar.
- Mas e se eu me achegar?
- Eu também Me achegarei.
- E se minhas pernas fraquejarem?
- Eu te tomo em Meu colo.
- Se eu quiser desistir?
- Eu renovo tuas forças.
- E se o sangue não parar de correr?
- Eu te limpo.
- Mas e se eu Te invocar?
- Eu te ouvirei.
- Mas e se, mesmo assim, eu não quiser ir Contigo?
- Eu vou com você.
- E se eu não souber pra onde ir?
- Eu te guio.
- E se eu te renegar?
- Eu  jamais te renegarei.
- E se, mesmo depois de tudo isso, eu não conseguir Te chamar de Pai?
- Eu te chamarei sempre de Minha filha.
- E se eu nunca disser que Te amo?
- Incondicionalmente, Eu te amarei.


* Ouvindo Invoca-me, de Diante do Trono