terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O excesso do meu eu

Não há nada escrito em minha mente. Uma confusão monossilábica está presente no meu ID. Apesar disso, não há nada escrito. Há uma desorganização do meu interior. Mas palavras? Palavras não há.
Outrora, existiram. Palavras. Contextos. Mas agora, sumiram. Fugiram. E nem sei onde pousaram.
Eu poderia registrar aqui as palavras de outrora. Mas o eu de mim não deixa. O deixar do meu eu se queixa. Porque tais palavras que cogitei em registrar já foram sentidas. Um texto, um conto, um livro já foi escrito. Mas não há páginas, nem linhas, muito menos parágrafos.
Não há uma vírgula sequer. Porque vírgula é separação. Podem separar verbos, adjuntos, advérbios, todo o predicado; mas nunca os sujeitos. Isso é fato.
Ainda assim, não consigo estruturar ao menos uma frase. Eu sei que elas existem. Mas não me atrevo a estruturá-las. Porque no eu do meu eu, as exclamações clamam, e as interrogações se invalidam. Entretanto, há uma sequência de reticências...
Então, deixem o meu eu se esvaziar. Desprendam-se de mim. Permitam o meu eu  passear livremente. Libertem-me dessa liberdade autoritária, porque ser, já é complicado demais pra mim, por isso deixem-me ser. Eu quero descobrir o que sou. Porque eu vivo sendo, e ser cansa. Me cansa.
O lado que eu quero olhar é o de dentro, mas quero ver o lado bom de tudo; porque os olhos são meus,  e é o lado bom das coisas que me interessa. O bom de verdade. Não o bom camuflado de ruim. Eu sei que o ruim existe, eu vejo o ruim. Não sou cega.
Vejo ângulos diferentes, e vejo que diferente sou. O óbvio vem se mostrar pra mim. Mas eu tenho força de vontade, e embora use óculos, vejo o lado bom de tudo. No meu eu está o lado bom de tudo. E não sou egoísta ou coisa parecida, mas se estou bem, tudo vai bem. E isso é muito bom.
Eu vejo cores. O meu olhar cintila. E mesmo confusa monossilabicamente, a minha felicidade se exterioriza. Não me force a ver tudo preto, cinza, apático, sem vida. Eu estou vendo flores, eu vejo frutos. Eu que plantei. Seria ótimo se eu pudesse colher.
O lado bom está virado pra mim, e vejo o lado positivo de tudo. Porque ser eu me deixa positivamente feliz. E isso é redundante.
Eu quero ser eu o tempo todo. O excesso de mim. O ego do meu ser. Eu quero ser eu toda hora. Ser eu exageradamente. A redundância mais redundante. Eu quero ser a verdade do meu texto, do meu conto, do meu livro. Eu posso ser, por que nasci dAquele que é.
Não sei fingir de ser eu. Eu só sei ser isso. Eu quero ser o absoluto eu de eu mesma.
Porque só sendo eu, eu sou feliz. Então me deixa abrir os braços, agradecer e transbordar de alegria. Ao menos uma vez na vida. Ao menos uma.


4 comentários:

Liliane disse...

Eu quero comentar esse texto,eu,eu mesma!
Muito bom!
As vezes é preciso parar com a falsa modéstia e se mostrar. E dizer: Essa sou eu,vai me aceitar assim?Porque é tudo que eu sou!

Eu,eu mesmo e Irene!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Sir. Dan Costa disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
andressa disse...

http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=9007994688266042394

Layz Costa disse...

Que lindo Sônia!
Aproveite, abra mesmo os braços!
\0/

Ser feliz e se aceitar são as melhores coisas, sempre.
beijo! =*