quinta-feira, 9 de junho de 2011

Inverno


Esse texto não é de cunho auto-biográfico, trata-se apenas de um texto escrito para um site do qual sou participante (Jardim de Clio), não tem nada  a ver com a minha vida e nem é em homenagem ao dia dos namorados, portanto, por favor, não confundam meus textos com minha vida pessoal, nem o meu eu-lírico com as minhas histórias de vida, as duas coisas estão bem separadas, além do mais, nem seria inteligente da minha parte usar um blog como diário, até porque, literatura não é biografia.

Um vento muito frio no rosto, uma xícara de chá quente para aquecer a alma, a mão gelada tentando se aquecer sozinha, a fumaça do chá que inebria o ser. Uma coberta quente para amenizar a dor, um sopro na fumaça da xícara, para não perder o costume, um livro velho pra relembrar o amor. Porque depois de um tempo, a alma cansa, o sorriso bobo se esvai, as fantasias se perdem, o tempo massacra as esperanças, o inverno agora é aqui dentro.
Quando o tempo não passa lá fora, se morre um pouquinho de cada vez por dentro. Os olhos não brilham, o sangue não pulsa, seu corpo se fecha e é incapaz de externar qualquer sensação, qualquer emoção, qualquer coisa que te provoque qualquer outra coisa. Seu coração foi esquecido numa esquina qualquer. De uma rua qualquer. Procura-se.
Quando se perde o coração, a mente anda meio errante e se torna inconstante feito água, tentando se adaptar a qualquer situação, se moldando a qualquer condição. Racionais são pessoas mentirosas que não perderam o coração, muito pelo contrário, guardaram ele na última gaveta da cômoda, atrás de todos aqueles objetos e cartas e lembranças, alimentando-o a pão e água, visitando-o todos os dias, pedindo conselhos pra uma mente boba, bobinha. Mentirosos.
Ajeite-se no sofá, fique mais confortável, a temperatura caíu mais um grau. Agora vai congelar.
Seguiu para o quarto, levou o chá, a coberta e o livro junto. Um bichinho de pelúcia lhe fazia companhia, manter a ideia de solidão a assustara mais ainda. Conservar a ilusão da companhia era sempre mais agradável. Com certeza. Com certeza.
Não precisava ser assim, nem precisava eternizar, podia ser tudo, menos o único. Poderia ser mentira, não precisava ser pra sempre, poderia ser qualquer coisa, menos o primeiro.
Perdeu o coração. Acharam e o jogaram no lixo.
Cubra-se direito. Agora nevou.



3 comentários:

Danielle disse...

porque ela não escreve um livro? ;) #ficadica

beeijos

Larissa Castro disse...

Bom texto. Tem dor, do jeito que eu gosto. Só discordo com uma parte da introdução: "não confundam meus textos com minha vida pessoal, nem o meu eu-lírico com as minhas histórias de vida, as duas coisas estão BEM separadas". Seria possível o que a gente escreve por imaginação estar tão separado assim do que o que se passa dentro de nós, de verdade? Pois pra falar sobre sensações/sentimentos não é preciso que a gente os conheça? Tudo bem, escritores são mentirosos, porém mentirosos em aumentar o que se sente, ou que já se sentiu. Mas mentirosos em criar absolutamente TUDO?

Bruna Trindade disse...

... E essa é a graça.